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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Ratos de Porão - Bar Opinião - Porto Alegre/RS (11/11/13)



foto: Lucio Agacê
Nunca tinha assistido ao Ratos de Porão ao vivo. Devia isso pra mim mesmo. Do rock nacional já tinha visto shows de quase todos que considero importantes: Titãs (Arnaldo Antunes e Nando Reis, além do Marcelo Frommer ainda vivo), Camisa de VênusParalamas do Sucesso, Fausto Fawcett, De Falla, Replicantes.Até Humberto Gassinger (sem Engenheiros do Hawaii, mas tocando músicas da banda) eu vi. Legião Urbana que fazia pouco show, ainda mais aqui no Sul, não deu pra ver (quando ia fazê-lo, Renato Russo morreu). Por isso, dos grandes do rock brasileiro faltava-me, de fato, o Ratos. Os caras que inventaram (isso mesmo: sem aspas!) o que pode ser chamado de metal-core antes de qualquer outra banda gringa; o grupo criador de discos essenciais como “Crucificados pelo Sistema”, “Descanse em Paz” e “Brasil”; os desbravadores, no Brasil, de uma malvista e desvalorizada, porém riquíssima, cena juvenil chamada punk junto com Olho Seco, Cólera, Inocentes, Garotos Podres, Lobotomia e outros; os verdadeiros cronistas suburbanos de um Brasil que insiste em ser desigual e decadente desde que eles surgiram, há mais de 30 anos, e bem antes disso; a primeira banda a levar, junto com o Sepultura, o rock nacional pro exterior a custas de muito esbravejo e porrada. Faltava o Ratos a mim.
Faltava.
Depois de mais de um ano me penalizando por não estar na cidade para assisti-los em 2012, quando estiveram em Porto Alegre depois de um bom tempo sem virem, pude, enfim, presenciar João Gordo & cia. “destruírem” o Opinião no projeto 2ª Maluca, da Rei Magro Produções. Showzasso! Gordo, muito a fim de tocar e à vontade com um público verdadeiramente amante da banda, subiu no palco com a gana de realmente fazer um grande show. Com Jão, esmerilhando na guitarra, Juninho, super bem no baixo, e Boka, sempre destruidor na bateria, não foi diferente. O show teve aproximadamente 1 hora e 10 minutos, o que, para uma banda como o RDP, que tem faixas até de 17 segundos, (como “Caos”, que tive o prazer de ouvi-los tocar: “Esse mundo é um caos/ Essa vida é um caos/ Caaaaaos!"), esse tempo todo dá pra executar um monte de coisa. E foi assim, repleto de “crássicos” que incendiaram a roda de pogo.
foto: Lucio Agacê
Eles mandaram ver com “Agressão/Repressão”, “Crianças sem Futuro”, “Aids, Pop, Repressão”, “Sentir Ódio e Nada Mais”, “Realidades da Guerra”, entre outras. Só as foda! “Mad Society”, de uma fase já “madura” dos caras e das minhas preferidas, veio num arranjo super legal junto com “Morrer”, das antigonas. “Sofrer”, das mais conhecidas, claro, enlouqueceu a galera, assim como a versão deles de “Buracos Suburbanos”, da Psykóze, outra memorável do punk rock brazuca. Teve ainda as imortais “Crucificados pelo Sistema” e “Beber até Morrer” - música que, há 25 anos, nos faz pensar se não é, de fato, esta a solução num país, à época da composição, de Plano Cruzado e inflação galopante e, hoje, de Bolsa Família e Mensalão... 
Mas pra pirar mesmo o público de fé que foi lá naquela noite do dia mais chuvoso na cidade em um século (!), o Ratos presenteou-nos com uma execução do clássico do rock gaúcho (quando este ainda era bom pra caralho): “O Dotadão Deve Morrer", d’Os Cascavelletes. Ao seu estilo, tal como gravaram em 1995 no álbum “Feijoada Acidente - Brasil”, ou seja, menos rockabilly e mais hardcore, a banda fez o Opinião vir abaixo, ainda mais no refrão, entoado por toda a plateia - inclusive este que vos fala. Gordo cantava: “Hey, rapazes/ Esse cara deve morrer”, e nós respondíamos em coro: “Deve morrer, deve morrer, deve morrer!”. De arrepiar!
Pra fechar, outro clássico cantado por todos: “FMI” (“O FM’ê’ não está nem a’ê’...”). Como se não bastasse a felicidade de minha realização de, finalmente, assistir ao RDP ao vivo, ainda pude fazê-lo ao lado de meu primo-brother e colaborador deste blog, Lucio Agacê, justamente quem, em meados dos anos 80, mostrou pra mim esta que é, certamente, a maior banda brasileira em atividade hoje. E será que não foi sempre?



fotos: Lucio Agacê


quarta-feira, 4 de julho de 2012

"Sub" - Vários (1983)


"O Mundo vai acabar"
da letra de “Terceira Guerra”
do Fogo Cruzado


Vale coletânea?
Vale, ué!
Quem falou que não pode ter álbum com ias de um artista aqui nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS? Já teve ao vivo, compacto, EP, por que não poderia ter coletânea?
Até porque a seleção em questão é extremamente significativa para o seu segmento em particular. Falo do disco “Sub” , uma compilação de bandas punk nacionais do início dos anos 80, que junto com outra coletânea, “Grito Suburbano”, que podem ser consideradas de certa forma a síntese do punk paulista, que a rigor foi o berço do movimento no Brasil. Embora haja controvérsias quanto ao fato de Brasília ter dado início à tendência, com certeza a região operária de São Paulo, o ABC, com suas características de proletariado industrial, conjuntos habitacionais, até mesmo as lutas sindicais foram decisivas para a formação mais efetiva, ativa e característica do movimento punk brasileiro na periferia de São Paulo, como cantaria Gilberto Gil na sua "Punk da Periferia", ao passo que em Brasília a atitude ficava por conta de uma outra faixa social intermediária, composta por filhinhos de papai, de diplomatas ou  às vezes até mesmo por filhos de militares. Ou seja, a de São Paulo era mais autêntica, mais verdadeira, mais sincera e honesta.
E é isso que vemos no “Sub”. Aquele grito juvenil indignado, muitas vezes ingênuo, clamando por justiça social, por igualdade, por paz mundial em tempos de Guerra-Fria e ameaças nucleares, denunciando a fome, o desemprego, o racismo, o preconceito e o regime militar que àquelas alturas já estava no final e bem mais fácil de ser contestado em plena Abertura.
As músicas? Tosquice pura! Faixas curtas, muito barulho, limitação de recursos de gravação e absoluta falta de qualidade técnica dos músicos. As letras por sua vez, agressivas, raivosas, rebeldes, muitas vezes, demonstram extrema inocência até, com conceitos e idéias um tanto pueris (“O homem ingênuo sobe na vida
sem nada saber de sua burguesia”
), e não raro, deixando transparecer a extrema pobreza gramatical dos compositores que incorriam em erros de português clamorosos ( “a noite escureceu, o dia esclareceu” ou “eu vi a barca atravessando a avenida pareciam deguladores” ). Sem falar que muitas vezes os versos ficavam quase incompreensíveis dada a rapidez da música ou da pronúncia do vocalista.
A coletânea conta com quatro bandas: dois dos nomes mais importantes da cena punk brasileira, Cólera e Ratos de Porão, nessa época ainda sem o emblemático João Gordo, e os outros dois menos conhecidos do grande público, Fogo Cruzado e o Psykóze, que não ficam devendo em nada aos consagrados e por vezes roubam a cena com músicas até mais interessantes e mais bem elaboradas.
Destaques para “Vida Ruim” dos Ratos de Porão; do Cólera “Quanto Vale a Liberdade?” vale a indicação, e a que leva o ‘doloroso’ título “X.O.T.”, abreviação absurda de “Xantagem Ocasional Tramada” mesmo com seu erro grotesco de português; “Terceira Guerra Mundial” e “Buracos Suburbanos” são as melhores do Psykóze na minha opinião; e do Fogo Cruzado, os meus preferidos da coletânea, destaco “Delinqüentes”, “Inimizade” e “Terceira Guerra” com sua ‘bombinha’ caindo no final pra destruir tudo e finalizar o disco.
Lembro que o meu primo Lucio Agacê me apresentou isso empolgado na época que estava descobrindo essas coisas, o punk rock, o hardcore. Me mostrou brasileiros como o Vírus 27, o Olho Seco o Hysteria Oi, estrangeiros como o Exploited, Kennedy's , G.B.H. mas não curti muito de início. Estava mais voltado pro som dark dos anos 80  e  não dei muita atenção. Fui dar valor mesmo anos depois quando entendi que na verdade, punk, pós-punk, gótico, era tudo uma continuidade e muito do que eu ouvia era resultado do que os punks haviam desenvolvido. Aí saí à cata de coisas que eu não havia dado a devida atenção em outro momento e numa dessas topei com o “Sub” por aí e não tive nem dúvida: tinha que ser meu.
Entre tantas outras contribuições musicais na minha vida e nossas colaborações na época da nossa banda, devo ao Lucio essa iniciação ao som punk. Sem ele não teria conhecido esse universo e neste caso específico, o “Sub”, bola da vez aqui nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
Valeu por mais essa, Lucio!
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FAIXAS:
  1. "Parasita" (Ratos de Porão) - 01:11
  2. "Vida Ruim" (Ratos de Porão) - 01:32
  3. "Poluição Atômica" (Ratos de Porão) - 01:08
  4. "X.O.T." (Cólera) - 01:38
  5. "Bloqueio Mental" (Cólera) - 01:36
  6. "Quanto Vale a Liberdade?" (Cólera) - 02:18
  7. "Terceira Guerra Mundial" (Psykóze) - 01:42
  8. "Buracos Suburbanos" (Psykóze) - 01:33
  9. "Fim do Mundo" (Psykóze) - 00:55
  10. "Desemprego" (Fogo Cruzado) - 01:49
  11. "União entre Punks do Brasil" (Fogo Cruzado) - 01:23
  12. "Delinqüentes" (Fogo Cruzado) - 01:09
  13. "Não Podemos Falar" (Ratos de Porão) - 00:51
  14. "Realidades da Guerra" (Ratos de Porão) - 00:50
  15. "Porquê?" (Ratos de Porão) - 01:04
  16. "Histeria" (Cólera) - 01:11
  17. "Zero Zero" (Cólera) - 01:27
  18. "Sub-Ratos" (Cólera) - 01:13
  19. "Vítimas da Guerra" (Psykóze) - 00:54
  20. "Alienação do Homem" (Psykóze) - 00:53
  21. "Desilusão" (Psykóze) - 01:02
  22. "Inimizade" (Fogo Cruzado) - 01:17
  23. "Punk Inglês" (Fogo Cruzado) - 01:45
  24. "Terceira Guerra" (Fogo Cruzado) - 01:38
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Ouça:


por Cly Reis
para meu primo Lucio Agacê

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Vômitos & Náuseas – Gravação do Primeiro CD


Deparei-me pelo Facebook com uma notícia com a qual fiquei muito feliz: uma das bandas do meu primo-brother e colaborador do Clyblog, Lucio Agacê, a Vômitos & Náuseas, vai lançar CD este ano. É para setembro que está previsto o primeiro disco full-lenght destes veteranos do hardcore gaúcho, formada atualmente, além do Lucio nos vocais, pelo Gabriel Tolla, no baixo, Fabiano Dian e Guga Prado, nas guitarras, e Cristiano Hulk, bateria.
Minha felicidade se justifica. Além de acompanhar sempre que possível, de perto ou de longe, as movimentações musicais que o agitador Lucio sempre promoveu desde os anos 80 (época em que mudou minha vida, quando, ainda guri, fui apresentado por ele ao punk-rock), igualmente, vi, em 1989, o nascimento e formação da Vômitos, a qual assisti algumas vezes em ensaio e show ao vivo. Presenciei também à época a participação na coletânea “Paranoia Suicida”, de 1990, primeiro registro oficial deles, pouco antes do Lucio entrar para o grupo.
Vômitos & Náuseas, 
retorno com tudo.
E lá se vão 20 anos de “coma”, como os próprios definem o período em que estiveram afastados. Em 2014, depois de tocarem outros projetos, entre períodos de viagens e trabalhos em outras bandas (só o Lucio teve envolvido com a Causa Mortis, Facção Zumbi, trabalhos solo, discotecagem e a própria HímenElástico, a qual também pertencia), os caras retornaram pra detonar tudo de vez com seu som que mescla o bom e velho punk com hip-hop e heavy metal. Estão atualmente aprontando material inédito no estúdio Hurricane, em Porto Alegre, incluindo canções compostas nos anos 90 e coisas novas, com produção do Sebastian Carsin, Gabriel Siqueira e Juan Acosta.

Seja bem vinda de volta, Vômitos & Náuseas! Paulada na cabeça desse rock gaúcho insosso e ridiculamente “érrebe-éssezado”. Nauseiem à vontade os estomagosinhos dessa gente apática e idiota e vomitem-lhes agressividade em forma de boa música. É de vômito que estamos precisando. O CD sai em breve, mas por enquanto, fiquem com uma das inéditas, composta em 1991: “Corpos Mutilados”.


Vomitos & Náuseas - "Corpos Mutilados"



domingo, 22 de dezembro de 2013

Garotos Podres - "Mais Podres Do Que Nunca" (1985)



"Papai Noel, velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
Cospe nos pobres."
trecho de "Papai Noel Velho Batuta"


Quando fui convidado a escrever sobre esse disco, passou um filme pela memoria
Explico:
1987 turma 027, Senai de eletromecânica, Sapucaia do Sul, RS... "Sorriso", era assim que era conhecido este que vos escreve.
Nesta época, chegou até mim um disco chamado "Ataque Sonoro", do qual já falamos aqui nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, onde parece uma banda que que já se destacava e alçava voo com seu próprio álbum, "Mais Podres do Que Nunca". Sim, falo dos Garotos Podres, banda liderada por Mau, acompanhado de seus comparsas Sukata, Português e Mauro, e que teve lugar garantido tanto nos meus sets DJ em vários campeonatos de skate pelo estado quanto no repertorio de banda que eu tocava na época, entoando hinos como "Miseráveis Ovelhas", "Anarquia Oi!", "Não Devemos Temer", e nunca esquecendo, é claro, do clássico que 'arrebentou' em noites natalinas pelo Brasil afora, "Papai-Noel Velho Batuta", que na verdade teria outro nome, bastante fácil de imaginar, mas só teve seu título 'suavizado' para driblar a censura.
Esse com certeza foi um dos discos responsáveis pela formação punk anarco subversivo chamado hoje Lucio Agacê.
Em homenagem a todos os velhos batutas do 'braza' desejo um Feliz Natal sem ostentação e com muito sentimento cívico para todos.
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FAIXAS:
  1. "Não Devemos Temer" (Mauro/Mao/Sukata)
  2. "Johnny" (Mauro/Mao/Sukata)
  3. "Insatisfação" (Mauro/Mao/Sukata)
  4. "Maldita Preguiça" (Mauro/Mao/Sukata)
  5. "Vou Fazer Cocô" (Mauro/Mao/Sukata)
  6. "Anarkia Oi!" (Mauro/Mao/Sukata)
  7. "Eu Não Sei o que Quero" (Mauro/Mao/Sukata)
  8. "Papai-Noel Velho Batuta" (Mauro/Mao/Sukata)
  9. "Miseráveis Ovelhas" (Mauro/Mao/Sukata)
  10. "Liberdade (Onde Está?)" (Mauro/Mao/Sukata)
  11. "Führer" (Mauro/Mao/Sukata)
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Ouça:
Garotos Podres Mais Podres Do Que Nunca

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

CLYLIVE ESPECIAL 13 anos do ClyBlog - Hímen Elástico - Woodstock Bar - Alvorada /RS (13/08/1993)




Pedaço do cartaz do evento















O mais alto voo "hermenêutico*" 

Hímen Elástico, sexta feira 13 agosto de 1990 e poucos....
Lembro que fizemos alguns ensaios e como de costume nunca tivemos um guitarrista fixo... mas tenho dois na memória, um canhoto e o outro destro.
Sim, ser canhoto era um pré-requisito para fazer parte da banda e nem precisava tocar bem. Se fosse canhoto estava dentro! Marcelo o “Fedor” era o destro, talvez o que mais se manteve no cargo, e Thiago Newman, o canhoto, que acho que foi quem participou do show que, certamente foi a apresentação mais insana daquela noite e que, curiosamente, não começou no palco.
Saímos eu, meu irmão, Nego Lê, nosso batera Cézah, o Pereba, e mais um amigo e personagem importante dessa cruzada, Diogo, o Tantã, rumo à Intercap, em Porto Alegre, para a reunião que daria início a saga.
Logo após a janta, todos naquele alvoroço se preparando para alçar ao que talvez fosse o voo mais ousado do nosso projeto hermenêutico, lembro da minha tia Iara, mãe dos guris Clayton e Daniel, meus primos e vocais da banda, nos encher de advertências sobre o uso do casaquinho, o cuidado com as companhias e aquela coisa toda de mãe.
Então chegou a hora, a trupe toda pronta e partimos para rua. Provavelmente eu levava alguma bebida mocozada na mochila, pois não lembro de um dia que saí durante os anos noventa onde não houvesse um vinho (hehehehe), mas o fato de já ter um trago, não impediu um dos atos que seria o marco daquela cruzada. Então, surge a dúvida: quem pegou a Cachaça Polteirgeist?
Lembro de o Pereba ter tomando mas também lembro do Tantã ser o primeiro a pegar o artefato.
Estávamos nós andando, não sei se próximo ao ponto de partida, quando numa encruzilhada nos deparamos com um despacho digno de uma legião de entidades e um dos nossos heróis teve a bendita ideia de pegar a cachaça pra tomar. 
Não sei se tomei, não sei quem tomamos, mas sei que fez toda diferença pois fomos para aquele show com uma legião de seres das ruas na nossa cola.
O lance era um pico muito louco numa festa insana organizada por uma skatista amigo nosso da Osvaldo Aranha, o Miller, que hoje mora em Viamão e que simplesmente convidou todo mundo pro evento. Lembro da Free Jack , Rapcrazy, Ultramen, Groove James, Borboleta Negra, que hoje virou Comunidade Nin-Jitsu, e nós, a Hímen Elástico, é claro...
Então chegou o momento tão esperado! Lembro de ter começado com a Marcha Fúnebre, num bass distorcidão, usando o moletom, que havia sido confeccionado num tamanho descomunal, com o capuz caindo na cara, fazendo referência à morte ou a um ritual qualquer (hehehehehehe!). Logo vinha “Carolina” ("Dá um beijo no cangote, Carolina!") e “Ex” que deram o ritmo do que seria uma metralhadora de músicas que tocamos naquela noite. Sim, foi um petardo atrás do outro e lembro que meu irmão não ficou no palco pois passou o show correndo no salão, alucinado, e geral impressionada com o que estavam assistindo. (hehehehehehehe!!!) Enfim, memorável! Logo após toda aquele frenesi, fomos para Osvaldo Aranha celebrar o grande momento. Acho que foi a primeira vez que vi Clayton e Daniel por lá!!!!!!
Até hoje não sei como acabou aquela noite mas guardo na memória, mesmo que vaga, um espetáculo inesquecível.

* Hermenêutico - termo que costumávamos usar para classificar tudo relacionado à Hímem Elástico


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A dúvida que não quer calar

Bah! Baita lembrança!
Então, o que dizer daquele dia? Eu bem moleque aprendendo os passos da adolescência e tendo exemplos, tanto de vocês, meus primos, como do Lucio, meu irmão.
Lembrando desse dia, hoje em 2021, consigo ter claro o que aquele 13 de agosto significou na construção de quem sou eu hoje, mas voltando anos atrás, era tipo um filme. Expectativa como se fosse um showzaço mas foi como uma final de campeonato, desde o ponto de ônibus, de onde já saímos rindo de tudo, até descer no centro de Alvorada, adentrar aquele bar escuro e ouvir a Hímen Elástico com vocês. 
Quebramos tudo! Foi massa demais e uma experiência única. Por isso, meu lema até hoje é: seja jovem sempre e faça tudo que quiser fazer, desde que não prejudique ninguém e não ocupe o espaço de outra pessoa. 
Contudo, depois de tanto tempo uma dúvida ainda persiste: Cachorro morto ainda late**?


** nome de uma das músicas da Hímen Elástico

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Macumba, rock ‘n’ roll e cabeças cortadas

Tínhamos a melhor banda de rock do Rio Grande do Sul dos anos 90. Digo isso sem soberba, até porque, se sobrava qualidade, faltou persistência a nós para prosseguimos e provar todo esse talento. A Hímen Elástico, nossa banda, era uma mistura muito bem azeitada de todas as referências que nós, integrantes, tínhamos: punk rock, hip hop, quadrinhos, samba, poesia concreta, música clássica, revistinha adulta, skate, hardcore, desenho animado. De tudo um pouco e tudo misturado emaranhando as mentes de Clayton Reis, meu irmão e principal vocalista/letrista; Leandro Reis Freitas, o Lê, primo backing assim como eu e dono de sacadas e ideias sempre criativas; Cezar “Pereba” Castro, o melhor batera dessas bandas sulistas depois de Pezão; e o baixo, vocais, and other instruments by Lucio Agacê, irmão de Lê e também nosso primo, um turbilhão de musicalidade e o verdadeiro músico entre nós – não à toa, o cara que mais seguiu por esse caminho entre todos nós depois da “dissolução” da Hímen, como carinhosa e debochadamente nos apelidávamos,.

Compúnhamos juntos e de forma contributiva, aliás, como sempre fizemos desde a infância, crescendo juntos como guris e seres criativos. Se a sintonia entre nós era sanguínea, geracional e afetiva, na guitarra a Hímen ainda reservava um charme à parte: sempre tínhamos um guitarrista diferente. Sabe a The The, a P.I.L., a This Mortal Coil, todos com guitarristas móveis? Pois é: éramos iguais. Dependendo da ocasião, algum amigo, familiar, parceiro ou até fã nosso era contemplado – desde que soubesse minimamente tocar o instrumento, visto que nenhum de nós tinha essa capacidade.

Todas essas características faziam da Hímen uma banda sui generis, que botava no chinelo em musicalidade Comunidade Nin-Jitsu, Cidadão Quem, Papas da Língua, Tequila Baby... todas as bandas de sucesso do RS na época. E nada dessa de banda “couve”: nossas músicas eram todas escritas por nós mesmos. O que não era de nossa autoria, transformava-se assim, como as versões de Ramones e Legião Urbana, que emendávamos com uma de nossas canções, “Fórmula de Bhaskara’, ou as ousadas versões de “Ego Sum Abbas” de CarminaBurana ou da techno-punk Suicide para o formato baixo-guitarra-bateria. Tínhamos inteligência musical e repertório suficiente para gravar um disco, certamente. Mas o fato é que não tivemos muito tempo de “estrada”. Embora as músicas ainda existam, foram poucos os que, ao contrário das bandas de sucesso do rock gaúcho, bem mais persistentes, tiveram o “privilégio” de nos ouvir. A não ser numa fatídica, gélida, perigosa e memorável noite de rock ‘n’ roll que nós promovemos.

Não vou lembrar com detalhes, pois lá se vão 28 anos, mas recordo que ensaiamos algumas horas na tarde daquele 13 de agosto de 1993 num estúdio que alugamos no Bom Fim. Terminados os ensaios, ‘simbora lá pra nossa casa, meio do caminho para nosso destino final, para comer alguma coisa feita por minha mãe, dona Iara, que levou as mãos à cabeça ao saber para onde iríamos depois dali: Alvorada. E à noite! E numa sexta-feira 13! E na cidade mais perigosa do Estado! Isso porque, naquela semana, a imprensa havia noticiado, assombrada, vários assassinatos cometidos em Alvorada em que os criminosos haviam decapitado suas vítimas. Misto de irresponsabilidade e descomplicação juvenil, obviamente, fomos. Seria a primeira apresentação ao vivo da Hímen Elástico! Nossas músicas, nós no palco! Adrenalina, rock ‘n’ roll! Não íamos perder de jeito nenhum a oportunidade de fazer aquele show, nem que, para isso, cortassem nossas cabeças!

Rock a gente associa a algo quente, infernal, furioso, certo? Neste caso, porém, substitua-se o calor dos infernos por um frio dos infernos. Sim: afora todas as justificativas que inibiriam qualquer ser minimamente ajuizado de não sair de casa, fomos nós, sob uma temperatura quase negativa, pegar dois busões em direção a Alvorada para desespero de minha mãe. Além de caminhar trechos com os instrumentos nas costas, sabe como é pegar ônibus de noite num fim de semana, né? Chá de banco. E com aquele frio! Deu pra ver que a galera não tinha grana, né? Táxi? Impossível, muito caro. Carro próprio? Àquela época, nem carteira aqueles guris tinham. Mas se faltava grana, assim como para com nossas músicas, sobrava criatividade – e um bocado de ousadia, confesso. No caminho para a condução, Cezar, quieto e sempre atento, encontrou uma garrafa de cachaça inteirinha e quase intocada. Que alento para aquele frio! E tudo bem pegar a bebida numa ocasião como aquela, não fosse a cachaça ser de um despacho. E acham que a gente se intimidou com o santo? Que nada! A insolência falou mais alto. Afinal, estávamos indo para um show de rock, caramba! O NOSSO show de rock.

Foi realmente uma apresentação digna a que fizemos no Woodstock Bar. Com uma formação de guitarra, baixo, bateria, voz e backing vocals, abrimos, como numa homenagem àquela sexta-feira 13 maldita, com “A Marcha Fúnebre”, (sim: trata-se de "Sonata para piano Nº 2 em si bemol menor, Op. 35", de Chopin), que havíamos ensaiado bastante durante o dia, embasbacando quem assistia. Seguiram-se nossas músicas: “Ex”, “Grandes Lábios”, E Daí?”, “Clayton” e outras. Nossas músicas.

Voltando a memória para antes do show, lembro de minutos antes de entrar no palco – pela primeira vez. Senti aquele famoso frio na barriga que todo músico ou ator diz ter antes de começar o espetáculo. Dei mais uns goles na nossa cachaça enfeitiçada e, não sei por que cargas d’água, arranquei o lenço que eu levava na cabeça e o amarrei numa das pernas, logo acima do joelho. Depois, foi só transe. Dito assim, parece um ato infantil, sem propósito ou até irrelevante. Mas aquilo era rock, bebês. Dadas as devidas proporções (afinal, considerávamos os melhores do nosso território, mas não do planeta), é a pulseira de spike dos metaleiros; é a camiseta rasgada de Sid Vicious; é o figurino extravagante do Elton John; é o tênis All Star dos Ramones; é o crucifixo do Ozzy. Não é a música, mas faz parte. Afinal, rock não é só som: é atitude. É o momento em que se experencia algo transformador: deixa-se de ser somente a si próprio para se tornar, pelo menos por minutos, sua própria criação artística.

Com todo o cenário que se pintou, de perigos tanto do além quanto da vida real, posso afirmar que subir num palco é como ter a sua cabeça cortada e entregue numa bandeja para o público. Como no mito de Salomé, sedução e morte se amigam. É quase um milagre. Ou dá pra explicar de outra forma a voz do Clayton ter voltado perfeitamente na hora do show depois de emborcar a nossa aguardente magiada? Deus, ou melhor, o Diabo, pai do rock, fez-se presente naquele dia para ele tão especial para nos permitir que a nós também fosse. E foi.

Não eram muitos na plateia, certamente. Mas que quem esteve lá, viu uma verdadeira banda de rock, isso, viu. A melhor do Rio Grande do Sul da década de 90, o que muitos nunca souberam. Mas a gente, “hermenêuticos”, sem modéstia, sabemos que sim.



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Cachaça Poltergeist
por Cly Reis


Ninguém tocava grande coisa. Na verdade, a maioria de nós, LucioDaniel e Eu, o núcleo da Hímen Elástico, não tocava instrumento nenhum. Éramos quatro primos muito musicais e muito criativos, o que nos despertou o desejo de botar aquelas ideias musicais, às vezes muito doidas, em prática. E o meio para isso era ter uma banda. Mas como ter um grupo musical diante da situação já relatada da total inépcia instrumental dos integrantes? Ah, o Lucio, que era o único um pouco mais habilidoso tocaria contrabaixo, que era no que se saía melhor, um de seus grandes amigos, o Pereba, que tocava bateria pra diversas bandas, acrescentaria mais essa à sua lista, e eu, que tinha o desejo mas não a coordenação motora pra tocar, tinha uma guitarra que poderia servir para algum guitarrista que convidássemos e que se encaixasse. De resto, na falta de maiores talentos, todos os três restantes seriam vocalistas, ora fazendo backing-vocals, ora se alternando na voz principal, embora o posto, oficialmente, coubesse a mim, não por ser mais ter mais qualidades para tal mas, pelo contrário, exatamente por não saber fazer mais nada.
Ensaiávamos com alguma frequência, guitarristas iam e vinham no posto que nunca fora muito fixo, tínhamos um repertório interessante e consolidado e, a partir de determinado momento, começamos a ansiar por uma oportunidade de tocar em algum lugar. Numa dessas, o Lucio, que era o cara com mais contatos, mais atuação no underground de Porto Alegre e região, conseguiu um showzinho pra nós. Seria em Alvorada, um município próximo à capital, num pequeno festival, com umas quatro ou cinco bandas, num lugar chamado Woodstock Bar. O dia? Sexta-feira 13 de agosto.
Determinados a garantir um bom desempenho, uma apresentação digna, marcamos um ensaio extraordinário para o final da tarde do dia do show. O evento no bar começaria umas10h ou 11h da noite, faríamos nosso ensaio ali pelas seis da tarde, voltaríamos pra minha casa, comeríamos alguma coisa, sairíamos por volta das oito e ainda daria tempo tranquilamente. Nosso planejamento deu certo. Deu, em termos... O ensaio da tarde e, possivelmente, algum stress por ansiedade, levou embora minha voz. Me vi, a poucas horas do nosso momento mais importante, até então, sem a coisa que eu mais precisava naquela noite: a voz. Por sorte, pouco antes da nossa vez de subir no palco, um cara de uma outra banda, vendo a minha situação, recomendou que eu tomasse uma cachaça que era certo que minha voz voltaria. Não deu outra! Foi voltando, foi voltando e na hora do show, eu estava pronto.
Subimos ao palco exatamente à meia-noite da sexta-feira 13 (bom, tecnicamente, já seria dia 14, mas pra efeito da mística da ocasião, ganha mais efeito dramático se colocado assim). Pelo soturno da situação, abrimos os trabalhos com a "Marcha-fúnebre", mas já emendando com a nossa tradicional vinheta de abertura, "Carolina", que já desembocava na nossa eletrizante música de abertura, "Ex" e a partir daí foi só pancadaria. Um show bom, modéstia à parte, mas não apenas na minha opinião, uma vez que nosso som foi elogiado por integrantes de outras bandas e, de quebra, pela gatinha que eu estava azarando.
Numa noite tão envolta em elementos sombrios, uma sexta-feira caindo em13, início do show à meia-noite, marcha-fúnebre, voz indo e vindo e tudo mais, não é de se duvidar que um fato externo tenha influenciado todo o contexto daquela jornada. Ainda na nossa ida, assim que saímos da minha casa, no meu bairro, ao passarmos por uma encruzilhada, com um respeitável despacho, vasto, abastado, repleto de guloseimas, bebidas, pipocas, galinhas e tudo mais, um amigo da banda, o Tantã, sem nenhum temor, passou a mão numa garrafa de cachaça e tascou uma bela golada. O Pereba, não se fazendo de rogado, não hesitou e também caiu dentro da cachaça da macumba. Entre risos, zoeira e muita imaginação, fantasiando que as galinhas do despacho levantariam e nos perseguiriam reivindicando a oferenda roubada, seguimos dali para o local do show, no episódio que ficou conhecido entre nós como a "Cachaça Poltergeist".
Então, não é de se duvidar que, por trás de toda aquela noite mágica, mística, da própria cachaça que eu tomei no bar, estivessem agindo forças sobrenaturais, espíritos, entidades, orixás, que fizeram com que, no fim das contas, nos saíssemos bem dentro das nossas possibilidades e que tudo desse certo no lendário primeiro show da Hímen Elástico. 



Hímen Elástico - "Fita p/ Não Comprometer"



domingo, 29 de julho de 2012

Anarquia em Porto Alegre - Noite de autógrafos de Daniel Rodrigues - Pinacoteca Café (19/07/2012)




Tinha ficado devendo imagens e algumas considerações sobre o lançamento do livro "Anarquia na Passarela" (ed. Dublinense, 2012) do meu irmão, jornalista, parceiro-colaborador deste blog e dono blog do O Estado das Coisas Cine, Daniel Rodrigues.
Bom, pra começar, voltar a Porto Alegre para mim é sempre um prazer e ainda mais em circunstâncias festivas e alegres como esta, neste caso especialmente numa realização pessoal do Daniel e que por extensão enche de orgulho a todos nós da família.
O evento em si estava um grande barato. Tudo muito bacana, muito alegre, muito amistoso e ambiente aconchegante do bar Pinacoteca Café. Amigos, familiares, desconhecidos, curiosos, todos ali dando uma conferida, cumprimentando o escritor e demonstrando grande interesse pelo tema que num primeiro momento parece estranho mas que olhando em volta se vê o quanto é comum.
Tive a oportunidade de encontrar parentes queridos como minha adorada tia-prima Isaura, amigos de tempo como o Christian Ordoque e a Iris Borges, amigos até então virtuais como a Valéria Luna e o Eduardo Wolff, rever meu outro 'irmão' velho, meu primo e ex-parceiro de banda, o Lúcio Agacê detonando um punk rock nas 'picapes', e até topar com uma das lendas do punk-hardcore gaúcho, o ex-vocalista da Atraque, Leandro Padraxx, que dava uma banda por lá.
Grande noite. Grande honra e prazer ter estado lá com todas essas pessoas. E, mais uma vez parabéns, Daniel! Sucesso e que venham outros e outros livros por aí.


Abaixo algumas das cenas da noite captadas pela lente de Leocádia Costa, que igualmente tive o prazer de conhecer nesta visita:

"Anarquia na Passarela", já à venda
Família presente prestigiando o evento.
Lucio Agacê comandando o som:
Replicantes, Kennedy's, Pistols, Joy, e  por aí vai.
O autor, Daniel, na mesa de autógrafos,
atencioso com os visitantes
...tudo isso 'embalado' pela saborosa
cachaça Da Chica
Daniel com o grande Eduardo Wolff, resenhista
de vários ÁLBUNS FUNDAMENTAIS
aqui no blog,...
... com sua adorável namorada, Leocádia. 
... e revivendo a extinta HímenElástico,
com este blogueiro que vos escreve (dir.) e com Lúcio Agacê.
Irmãos
Autógrafos
Daniel Rodrigues e seu livro


fotos: Leocádia Costa
Luís Ventura


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

ÁLBUNS FUNDAMENTAIS ESPECIAL 13 anos do ClyBlog - Body Count - "Carnivore" (2020)



"Eu estava ouvindo metal normal e punk rock como Black Flag, Slayer, Suicidal. 
Esses foram grupos que realmente nos influenciaram. 
Eu pensava, aqueles caras que não estavam realmente cantando. 
Eles meio que gritavam, e eu podia fazer aquilo (...)
Nós escolhemos o estilo. 
O hardcore de Nova York foi muito influente.
Eu pensava, nós podemos fazer aquilo! 
Mas nunca o chamamos de rap rock. 
Eu realmente não gosto desse termo porque não é realmente rap rock. 
Rap é diferente. Rap é funkeado. 
Eu acho que se você latir os vocais em uma cadência e rima, você pode chamá-lo de rap rock. 
Não sei se Rage Against The Machine é rap rock. Rap é diferente. 
Eu só chamo de hardcore."
Ice-T sobre as origens
 e influências do Body Count



Resolvi falar de uma banda obvia na minha playlist desde 1992: Body Count.
Sou um fã incondicional e acompanho a banda desde sempre, mas nesse ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, para ser mais específico, quero destacar um disco que na minha opinião é um marco histórico, assim como foi o homônimo "Body Count", de 1992. "Carnivore" é uma paulada atrás da outra e ainda tem uma capa fenomenal criada por Zbigniew M. Bielak, cuja arte, toda vez que olho, percebo algo novo.
Disco lançado em março de 2020, é um álbum fundamental pois, além de várias pauladas como "Carnivore", "Bum-Rush", "When I'm Gone", com a participação da Amy Lee (ex-Evanescense), "Carnivore" ainda tem a monstruosa cover de, ninguém menos que, Motörhead, com "Ace of Spades"; uma paulada do primeiro disco de Ice Mothafuckin' T, "A Six in The Morning", que recebeu um trato violento; e, para meu delírio uma regravação de "Colors" que ficou uma animalice, com algo que eu, Lucio, já havia feito lá em 1994, que foi colocar uma distorção feladaputa num baixo, mas é claro, loooonge da minha tentativa, até porque não somos o Body Count (rsrsrsrs). 
O detalhe interessante é que o vinil, que, a propósito, é fenomenal, vem com um CD junto para dar de presente ou ouvir no carro, além de mais um pôster animal da banda.
Também é interessante mencionar que a música "Bum-Rush" foi premiada com o Grammy de melhor performance de heavy-metal de 2020. Mais do que merecido!
Enfim, "Carnivore" um álbum fundamental pelo qual estou viciado. Coisa que há muito não acontecia.



por  L U C I O  A G A C Ê


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FAIXAS:

1. Carnivore
2. Point the Finger (com Riley Gale)
3. Bum-Rush
4. Ace of Spades
5. Another Level (com Jamey Jasta)
6. Colors (2020)
7. No Remorse
8. When I’m Gone (com Amy Lee)
9. Thee Critical Beatdown
10. The Hate Is Real
11. 6 in Tha Morning (2020) (demo inédita)

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Ouça:
Body Count  - Carnivore (2020)






Lucio Agacê
 é músico, produtor e DJ.
É integrante das bandas Causa Mortis, Vômitos e Náuseas, entre outros projetos musicais. 
Nascido em Porto Alegre
Reside em Sapucaia do Sul - RS








terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Black Pantera - Bar Ocidente - Porto Alegre/RS (14/11/2022)

 

Por Lucio Agacê

Afro-punk - História

O termo se originou no documentário “Afro-Punk”, de 2003, dirigido por James Spooner. No início do século XXI, os afro-punks compunham uma minoria na cena punk norte-americana. Notáveis bandas que podem ser ligadas à comunidade afropunk, como Death, Pure Hell, Bad Brains, Suicidal Tendencies, Dead Kennedys, Wesley Willis Fiasco, Suffrajett, The Templars, Unlocking the Truth, Fishbone e Rough Francis. No Reino Unido, foram músicos negros influentes associados à cena punk do final da década de 1970 tal Poly Styrene da X-Ray Spex, Don Letts e Basement 5. O afro-punk se tornou um movimento comparável ao início do movimento hip hop dos anos 80. O Afropunk Music Festival foi fundado em 2005 por James Spooner e Matthew Morgan e recentemente teve sua segunda edição no Brasil realizada em Salvador, na Bahia.


Então: abri com esse texto para poder introduzir o tema a uma banda que pra mim é o grande destaque do momento e que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente e fiz questão de dizer a eles que essa era a oportunidade, porque depois disso eles alçariam voos ainda maiores.

No Brasil, assim como no mundo, houve nos últimos anos uma certa ascensão da extrema direita racista e supremacista causando uma divisão popular jamais vista na história da humanidade. Diante de toda essa situação atípica, faz-se natural alguns seguimentos da sociedade se juntarem para combater um inimigo em comum. Após o fatídico caso George Floyd nos Estados Unidos essa luta antirracista se tornou mais do que nunca necessária. Um combate à extrema direita ultraconservadora e os seus claros flertes com o fascismo fez com que cada vez mais jovens negros encontrassem na arte e na cultura, mais uma vez, seu refúgio.

Mês passado, no bar Ocidente, em Porto Alegre, rolou o espetáculo. Sim, senhores: um espetáculo!!! Era a Black Pantera, banda mineira composta por negros de atitude e com uma sonoridade monstruosa! 

Fiquei sabendo do show através de um amigo e começamos uma verdadeira saga para conseguir ingressos ou por sorteio ou pelos solidários. Até que, pasmem: a banda, com seu engajamento social, libera 50 ingressos para cidadãos negros de baixa renda. Bastava enviar um e-mail e confirmar presença.

trecho do show da Black Pantera 
no Ocidente, em Porto Alegre

Pronto: ingressos na mão. Fomos ao show, que começou às 21 horas em ponto, mas não antes daquela boa tietagem, troca de ideias, fotos e tudo mais, com direito a autógrafos no cartaz. Isso tudo numa segunda-feira, dia 14 de novembro...

O show da Black Pantera (formada por Charles Gama, guitarra e vocal; Chaene da Gama, baixo; e Rodrigo "Pancho" Augusto, bateria) começou com uma patada chamada “Abre a Roda e Senta o Pé”, seguida de mais alguns petardos, que até então eram novidades pra mim. Teve direito a cover do ídolo pop Michael Jackson, “A Carne”, de Elza Soares, e um belo momento onde a banda chama as garotas pra um samba-de-roda punk. Inacreditável!!

Eu quero exaltar aqui não apenas um, mas três discos da Black Pantera: “Project Black Pantera”, de 2015, “Agressão”, de 2018, e “Ascensão”, de 2022. Ouçam!

Senhores: o movimento Afropunk existe e está vivo. Vários artistas brasileiros estão nessa barca e merecem atenção!

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Confira mais fotos do show e dos bastidores:

BP no palco do Ocidente detonando


Lucio com a galera da BP após o show


Batendo aquele papo...


... sobre afropunk 


Mais câmbios entre Porto Alegre e BH


Foto afudê com a galera no camarim


No camarim trocando altas idieas com o pessoal da BP


terça-feira, 2 de julho de 2013

"Ataque Sonoro" - Vários (1985)


A capa da coletânea em destaque, no alto
e, abaixo a foto da contracapa do LP,
velhinho, remendado,
rabiscado, mas guerreiro.
"Tudo aconteceu na manisfetação
O povo protestava contra exploração
Diziam em voz alta "abaixo a repressão"
Num coro organizado diziam os explorados"
"Reprecaos", Vírus 27


Já que estamos vivendo em uma época onde a livre expressão e manifestação popular estão em alta, resolvi escrever sobre esse disco na sessão ÁLBUNS FUNDAMENTAIS do clyblog.
Conheci boa parte das musicas contidas nessa pérola exatamente no ano de 1987 quando ingressei em uma escola profissionalizante e aquele foi provavelmente o dia em que o menino virou um revoLUCIOnário! 
Por problemas respiratórios não podia jogar bola, então, normalmente ficava responsável pelo som nas festas, jogos ou torneios de skate, tendo sido assim apresentado ao universo PUNK.
O "Ataque Sonoro" é uma compilação que reúne grandes nomes do movimento punk brasuca: RxDxP, Cólera, Lobotomia, Expermogramix, Armagedom,Vírus 27, Garotos Podres, Auschwitz, Desordeiros e Grinders.
Lançado originalmente no ano de 1985 pelo selo Ataque Frontal, na minha humilde opinião foi o primeiro registro oficial de boa qualidade do movimento punk.
Vale conferir.
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FAIXAS:
lado A
  1. "Reprecaos" (Vírus 27)
  2. "Condenado" (Ratos de Porão)
  3. "Anarquia" (Garotos Podres)
  4. "Trabalhadores Brasileiros" (Espermogramix)
  5. "Ignorância Cega" (Auschwitz)
  6. "Progresso" (Desordeiros)
  7. "Rebeldes" (Cólera)
  8. "Skate Gralha" (Grinders)
  9. "Super Projetos" (Armagedom)
  10. "Faces da Morte" (Lobotomia)

lado B
  1. "Lobotomia" (Lobotomia)
  2. "Cérebros Atômicos" (Ratos de Porão)
  3. "Mortos de Fome" (Armagedom)
  4. "Bombas" (Espermogramix)
  5. "Eu Não Sei o que Quero" (Garotos Podres)
  6. "Corrupção!" (Auschwitz)
  7. "Vira-latas" (Cólera)
  8. "Como é que Pode" (Grinders)
  9. "Capitalismo" (Vírus 27)
  10. "Holocausto" (Desordeiros)

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Ouvir:
Ataque Sonoro