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sábado, 29 de setembro de 2012

Grupo Corpo - "Benguelê" e "Sem Mim" - Teatro do SESI - Porto Alegre (23/09/12)





"Benguelê", a tradução das imagens do Brasil 
na voz de João Bosco e na dança do Grupo Corpo (foto: Grupo Corpo)

“Sem Mim” e “Benguelê” no mesmo dia são presentes dos que recebemos a cada dois anos quando os mineiros do Grupo Corpo se apresentam em Porto Alegre. Com coreografia de Rodrigo Pederneiras, cenografia e iluminação de Fernando Velloso e Paulo Pederneiras e figurino de Freusa Zechmeister, nunca se sabe quais serão os espetáculos pares, mas desta vez, posso confessar que fiquei sem fôlego, de tanta emoção.
"Benguelê" foi o primeiro espetáculo de dança que assisti do Grupo Corpo, em 1998, quando o trouxeram conjugadamente com "Parabelo", trilha de Tom Zé. Em "Benguelê" a música de João Bosco simplesmente traduz imagens do nosso país, preservando a dignidade das vozes e corpos genuinamente negros. Escutar João parafraseando amorosamente Clementina de Jesus enquanto os bailarinos deslizam por suas travessias, seus duos e aos pulos celebram toda a genialidade do povo brasileiro, é emocionante. Sempre muito emocionante.
Aí, quando estamos mergulhados no universo-Corpo, após um intervalo de 10 minutos para todos retomarem seus fôlegos – dançarinos e plateia –, surge “Sem Mim”. Com estreia em 2011, o mais novo balé da companhia traz uma mescla de músicas sobre canções galegas de Martín Codax (artista popular que viveu entre os séculos XIII e XIV em uma região imprecisamente registrada em sua biografia, talvez na Galiza, em Vigo), está regida pelo coração sensível de José Miguel Wisnik e Carlos Núnez, e se multiplica em vozes ainda mais familiares, deixando clara a riqueza de nosso povo, misturado a tantas raças, cores e nacionalidades que, reunidas, nos fazem brasileiros.
O bailarino Uátila Coutinho em performance magnífica
no espetáculo "Sem Mim"
(foto: Grupo Corpo)
No palco, um casal de bailarinos adoça nossos corações com seu amor dançante protegido em meio a uma rede prateada. Minutos antes a bailarina Mariana do Rosário encanta com sua beleza em um solo magnífico entre rodopios de saias plissadas. O bailarino Uátila Coutinho faz emergir uma figura quase mítica do fauno, mas aqui em vestes de fiador, lembrando as atuações do mestre Nijinsky, "um gênio da dança com alma de fauno". Aos poucos as vozes de Milton Nascimento, Jussara Silveira, Monica Salmaso, Chico Buarque, Ná Ozzetti. Rita Ribeiro e do grupo vocal feminino-juvenil galego Xiradela nos comovem em sete cantigas que combinam as sonoridades medievais e galegas com a presença das violas brasileiras, dos pandeiros, do samba, entre outros.
Voltem sempre. Até breve!


abaixo, trechos dos dois espetáculos, "Benguelê" e "Sem Mim"




 por Leocádia Costa




Leocádia Costa é natural de Porto Alegre e lá reside. É formada em publicidade e propaganda pela PUC/RS, pós-graduada em arte-educação pela FEEVALE, trabalha com ações educativas, inclusivas e culturais na empresa APRATA,  é fissurada por música, dança, teatro, literatura, artes e cultura em geral, além de cantar e fotografar nas horas vagas. Já havia aparecido no blog com fotos do lançamento do livro "Anarquia na Passarela" de seu namorado e meu irmão, Daniel Rodrigues  e dos "30 Anos do Clube do Jazz" mas esta é a primeira vez que colabora efetivamente com uma postagem sua. E que venham outras.

Seja bem-vinda ao ClyBlog, Leocádia!

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