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segunda-feira, 13 de julho de 2009

The Jesus and Mary Chain - "Psycho Candy" (1985)




O (meu) Maior Disco de Todos os Tempos
" A gente recebe muitas cartas nos xingando.
Eu simplesmente respondo,
"Vá se fuder!"
Jim Reid



Quando começou o disco eu não acreditava no que estava ouvindo...
Tinha apenas lido a respeito. Melhor disco do ano em diversos meios de mída, melhor da revista Bizz na época. Definiam como ácido, uma avalanche sonora. Nem tentei ouvir antes pra ver se ia gostar, tratei logo de comprar. Comprei ainda o vinil. Eu mal sabia que aquela capa meio tosca era quase um aviso. Tudo faria sentido quando eu pousasse a agulha sobre o vinil.Levei pra casa e quase ritualísticamente como costumava fazer quando tinha alguma expectativa para ouvir os discos que comprava, parei, sentei, me acomodei e botei a bolacha pra rodar.Quando começou o disco eu não acreditava no que estava ouvindo. Aquela batida surda, alta, estourando mas levemente cadenciada sobre uma suave melodia que iniciava por uma longa paletada de guitarra era verdadeiramente doce mas completamente ÁCIDA. Sim, esta era a palavra pra definir "Just Like Honey" que abre o disco. Ácida.
Encantado com a primeira, sou surpreendido por uma torrente de som, quase ensurdecedora, vibrante, vigorosa, ousada, arrebatadora que é "The Living End". Aí, sim, eu já não entendia mais nada. O que era aquilo que eu estava ouvindo? "The Living End" era algo entre o experimentalismo de "European Song" do Velvet Undergriound", o embalo das surf music dos anos 50, vocais arrastados tipicamente ingleses, e uma sonoridade que lembrava "Anarchy in the UK" dos Pistols, tudo isso com microfonias, ruídos e distorções que faziam daquilo algo único.
A partir daí o cartão de visitas foi posto na mesa: a tônica do álbum estava colocada. A proposta ficava conhecida. Os ruídos e as microfonias não eram meros recusrsos para reforçar o barulho. Eles fazem parte de uma concepção de música, de rock e dos tempos. Por mais que já se tivesse visto isso com Stooges, com MC5 com o Velvet, nunca isso tinha sido colocado como identidade sonora em um álbum e de uma maneira tão bem construída, compondo e decompondo as canções, integrando-as sem esconder a sonoridade pretendida dentro delas.
O início do lado B mantém o impacto deixado pela letal "Taste of Cindy" que fecha a primeira parte. "Never Understand" é outra das provas de que a sonoridade pretendida é fica evidente com sua aura meio rackabilly, meio surf, mas com aquela atmosfera cheia de barulhos.
O disco dá uma pausa pra respirar com "Sowing Seeds" que baixa a rotação novamente, mas é só o tempo pra se recuperar e partir pro ataque com "My Little Underground", outra das melhores.
Fecha com "It's so Hard", com todas as características do disco mas um pouco mais soturna, enquadrando-se no contexto no qual afinal de contas faziam parte naquele momento, cheio de darks, góticos e afins. Chegava ao final meio que sem fôlego. Entreo extasiado e anestesiado.
Nunca tinha ouvido um disco igual.
"Psychocandy" evidentemente foi muito influenciado - punk, rockabilly, blues, surf music, Velvet, 13th. Floor Elevators, Beach Boys...- mas por ter conseguido ser um álbum coeso, único e original a partir de toda essa bagagem agragada e por seu caráter "barulhento" singular, também acabou por ser, desde seu nascimento, um disco extremamente influente e as microfonias e distorções desmedidas acabaram por se tornar assinatura dos irmãos Reid.
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FAIXAS:

  1. "Just Like Honey" – 3:03
  2. "The Living End" – 2:16
  3. "Taste the Floor" – 2:56
  4. "The Hardest Walk" – 2:40
  5. "Cut Dead" – 2:47
  6. "In a Hole" – 3:02
  7. "Taste of Cindy" – 1:42
  8. "Never Understand" – 2:57
  9. "Inside Me" – 3:09
  10. "Sowing Seeds" – 2:50
  11. "My Little Underground" – 2:31
  12. "You Trip Me Up" – 2:26
  13. "Something's Wrong" – 4:01
  14. "It's So Hard" – 2:37

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Ouça:
The Jesus and Mary Chain Psycho Candy



Cly Reis

3 comentários:

  1. http://www.mediafire.com/download.php?3530jmntk5z

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  2. Medo de não gostar

    Tem aquele ditado de que tudo que é bom na vida tem preço. O mesmo se aplica à música e aos grandes discos. Concordo plenamente com a escolha do “Psichocandy”, do Jesus. Também é o meu preferido. Só que minha aceitação à sonoridade e a singularidade deste disco foi ainda mais tortuosa do que tu narraste. Cheguei a ter, na verdade, medo de não gostar. Nas primeiras vezes eu tremia as pernas antes de colocar a agulha no vinil, sabendo que ia ter que “enfrentar” aquela música aparentemente inaudível.
    Esse desconforto ocorre mesmo de vez em quando, e é sempre com grandes discos. Na real, raramente um disco considerado como grande disco passa despercebido, seja pra bem ou pra mal. A reação de medo me passa sempre que sinto estar pondo em cheque meus próprios conceitos, e isso é necessariamente perturbador. Porém, poucos discos conseguem o feito de um “Psichocandy”: o de assustar num primeiro momento, mas, à medida que se vai entendendo aquele universo, aquela sonoridade, aquelas referências, se passa a admirar. O mesmo sentimento me causaram discos como “Trout Mask Replica”, do Captain Beefheart, “Remain in Light”, do Talking Heads, e mais recentemente “Unit Structures”, do jazzista Cecil Taylor. Todos me geraram um verdadeiro mal-estar como se me transmitissem a mensagem: “Vamos lá, ponha teu cérebro para funcionar para conseguir me entender, que eu sei que tu vais gostar de mim ainda”. Claro que tem aqueles discos clássicos que te faz cair o queixo logo de cara, como um “Rain Dogs”, do Tom Waits, “Radioactivity”, do Kraftwerk, ou “Suicide”. Ou aqueles que se ouvia falar que era “O” disco e que quando vais escutar atinge as expectativas, como um “Estudando o Samba”, do Tom Zé, ou um “Coisas”, do Moacir Santos. Mas é inegável que a surpresa de um “Psichocandy”, a partir do momento que se consegue captar todas essas características geniais que tu descreveste, conquistam para sempre. Como disseram os Titãs e os Talking Heads, “precisa perder o medo da música”.

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  3. Bel legal Cly a resenha. Realmente marcou época!!!

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